Luiz Calanca
Selo maldito e underground

Luiz Calanca, proprietário da primeira loja de discos da megafamosa Galeria do Rock desde 1978, no centro de São Paulo, e do primeiro selo independente do mercado musical brasileiro, é avesso às inovações tecnológicas como a Internet e o CD. Sua coleção particular soma quase 20 mil títulos em LPs, fora os quase 100 mil vinis e 25 mil títulos de CDs disponíveis em sua loja ‘Baratos Afins’.
Natural de Flórida Paulista, interior de São Paulo, nascido em 06 de fevereiro de 1953, Luiz conta que na infância era atrevido, sapeca e vivia “chegando nas garotas". Apaixonado pelo circo, gostava de ver os artistas ‘caipiras’ como Tonico e Tinoco, “passando debaixo do pano para não pagar bilhete”, completa.
Nos anos 60, quando os Beatles já haviam lançado “Ticket to Ride”, relembra, então com 11 anos, começou a trabalhar lavando os discos de vinil para o serviço local de publicidade em auto-falantes; “nessa época, comprei meu primeiro disco, o ‘La Bamba’, de Prini Lores.”
Mudou-se aos 13 anos para a capital São Paulo, com seus pais José e Ivani Calanca, início do ‘movimento tropicalista’.
Calanca assistia ao Programa “Esta noite se improvisa”, apresentado por Blota Jr na TV Record, onde Caetano Veloso e Chico Buarque eram quase que presenças constantes: “Ouvir Caetano cantando Tropicália foi um desbunde na minha vida”, explica Calanca, lembrando que foram esses os primeiros compactos comprados na cidade grande.
O primeiro LP nacional foi “Meu Bem”, de Ronnie Von, uma versão de “Girl” dos Beatles (1966), e o primeiro internacional foi dos Stones (1967)“Between the Buttons”.
Trabalhando como farmacêutico em uma drogaria na Augusta, começou então a comprar alguns discos e a fazer bailes em casas de família.
Casou-se em 1974 com Vitória Calanca, e abandonou o curso pré-vestibular quando sua esposa ficou grávida de Carolina: - “Eu tinha um sapato furado, mas sempre um disco novo”, completa. O farmacêutico então daria lugar ao futuro empresário, quando resolveu abrir uma loja de discos com o nome “Baratos Afins”, inaugurada em 1978. Luiz Calanca colocava os discos do John Travolta no chão para serem pisados pelos roqueiros freqüentadores da loja, que adoravam isso. No entanto, a loja acabou ficando famosa, cresceu, adquiriu mais funcionários, além da ajuda da esposa e filha, e, acabou adaptando-se aos segmentos variados de seus novos clientes: -“Virei um traficante de drogas, me prostituí, e acabei vendendo todo tipo de drogas musicais”, diz Calanca, em tom de brincadeira.
Calanca também produzia shows e espetáculos, tais como um trabalho realizado com o Arnaldo Baptista (ex-Mutantes), a pedido de sua esposa após um acidente que o músico havia sofrido. Assim, logo lançaria toda a obra dos Mutantes, Rita Lee e Arnaldo Baptista, a estréia do selo ‘Baratos Afins’.
O selo também lançou nomes como Bocato, Itamar Assumpcão, Jorge Mautner, Marcelo Nova, Ratos de Porão e Tom Zé, entre outros, num total de 154 títulos em LP e 50 em CD, com tiragens reduzidas.
Calanca diz que seu selo é “maldito e underground”, apelidado por ele de “Sanatório do Rock”. Trocando LP´s por CD´s, Calanca pode comprar um apartamento para abrigar o estúdio e seus LP`s.
“Nosso país tem quatrocentas bandas tão boas ou melhores que o Radiohead, mas sei que é difícil ‘vender’ essa música sem apoio da mídia. Porém, estou de alma lavada. Alguém, um dia, terá curiosidade de pesquisar e achará legal...”

Adaptação (06/08)

© 2016 Rockwalk Brasil®
WP       XHTML       CSS
       0

» Categoria "Músico"



» Categoria "Especial"



» Categoria "In Memoriam"